Expansão para o Paraguai: como decidir com números

17 de julho de 2026

A expansão para o Paraguai é uma decisão de estratégia, não de entusiasmo. Além disso, ela só compensa quando os números do seu negócio confirmam o ganho. Este é o terceiro e último artigo da série.

Nos dois primeiros artigos, mostramos que os números do Paraguai fecham e que vários setores ganham com a mudança. No entanto, o imposto baixo atrai, mas não garante lucro. Por exemplo, uma operação mal dimensionada consome a economia fiscal antes do primeiro balanço.

A seguir, você verá os pontos de atenção que o folder não mostra, como cada regime muda a sua margem e o roteiro que usamos para decidir com a DRE na mesa.

O maior mito da expansão para o Paraguai

O maior mito é achar que toda empresa dá certo lá só por causa do imposto. Ou seja, muita gente confunde oportunidade com resultado. No entanto, oportunidade não gera lucro sozinha. Ela exige execução.

“O mito principal é achar que toda empresa vai dar certo. Por isso é preciso uma análise criteriosa antes de instalar a empresa no Paraguai.”

Ezequiel Wilbert, sócio-fundador da Safegold

Além disso, a regra do jogo mudou. A Lei nº 7.547/2025 substituiu a Lei de Maquila de 1997, e o Decreto nº 5.714/2026 a regulamentou. Portanto, quem estudou o Paraguai antes de setembro de 2025 estudou um país com outras regras.

Quatro pontos de atenção antes de decidir

Antes de qualquer animação, vale colocar na mesa o que costuma ficar de fora da apresentação. São quatro pontos, e é neles que a decisão se ganha ou se perde.

  • Regras de origem do Mercosul: produzir no Paraguai não torna o produto paraguaio. O Regime de Origem do Mercosul exige salto de posição tarifária ou conteúdo regional, em geral com materiais de fora do bloco abaixo de 45% do valor FOB. Sem certificado de origem, o produto entra no Brasil pagando a tarifa cheia.
  • Distribuição de lucro (IDU): o imposto sobre dividendos incide quando o lucro fica à disposição do sócio, com 15% para o não residente. A Zona Franca e a Maquila excluem esse imposto. O regime geral, não.
  • Maturidade e escala: o ganho fiscal só chega com volume, mas o custo de operar em dois países começa no mês um. A folha carrega 16,5% de IPS, e ainda entram contabilidade local, estrutura e viagens. Além disso, qualificar mão de obra pode custar mais que a própria economia de imposto.
  • O regime certo: o Paraguai tem quatro regimes, mais o geral, e cada um tributa uma base diferente. Portanto, comparar 0,5% com 1% e com 10% não diz nada.

Como os regimes mudam a conta da expansão para o Paraguai

Cada regime cobra sobre uma base diferente. Por isso, o número menor engana. Vale olhar um por um antes de simular.

  • Zona Franca: 0,5% sobre a receita bruta de exportação, não sobre o lucro, e apenas para quem exporta exclusivamente a terceiros países. Como a base é a receita, você paga mesmo no ano de prejuízo.
  • Maquila: tributo único de 1% sobre o valor agregado no Paraguai ou sobre a fatura de exportação, o que for maior. Ou seja, tributa a transformação, não o material.
  • Matérias-primas: importação de insumos com 0% de tarifa, embora o IVA continue devido, e sem obrigação de exportar. No entanto, o regime tem prazo até 31 de dezembro de 2030.
  • Montagem de eletrônicos: IVA sobre base reduzida, o que dá 1,5% na compra de materiais e 4,5% na venda, com exigência de 20% de valor agregado nacional (Lei nº 7.546/2025).

Portanto, escolher pelo número menor, sem simular cada regime contra a sua DRE e contra a sua política de distribuição de lucros, é o erro mais caro dessa mudança.

As perguntas antes do primeiro passo

Roberto Romero, CEO da RR Group Contadores, que nos recebeu no parque, resume o roteiro de avaliação de forma direta.

“No primeiro momento é preciso avaliar o imposto e que tipo de regime a empresa vai usar: maquila, zona franca, regime de importação de matéria-prima e maquinário. Depois, a logística, se facilita a saída para o Brasil ou outros países do Mercosul. E a mão de obra, se precisa ser mais qualificada e treinar o pessoal.”

Roberto Romero, CEO da RR Group Contadores

Na prática, são estas as perguntas que separam o entusiasmo da estratégia:

  • O seu produto e a sua logística cabem na operação paraguaia, e a mercadoria cumpre a regra de origem?
  • Qual regime faz sentido, e o que cada um muda na sua margem real?
  • A sua mão de obra exige qualificação que o mercado local atende, ou vai precisar de treinamento?
  • O seu negócio tem maturidade e caixa para sustentar a operação no longo prazo, não só no primeiro ano?

Se as respostas não estão claras, o melhor é repensar e refazer a conta.

Como a Safegold decide com você: a DRE na mesa

Na Safegold, uma decisão dessas não começa pelo entusiasmo. Começa pela DRE. Ou seja, colocamos a demonstração de resultados na mesa, cruzada com o fluxo de caixa, e simulamos o cenário Paraguai número a número.

“O ponto inicial é um estudo aprofundado e uma visita, conhecendo os especialistas e a estrutura que o Paraguai oferece.”

Ezequiel Wilbert, sócio-fundador da Safegold

Em vez de um palpite sobre se compensa, a pergunta passa a ser o que o número mostra. Assim, o nosso trabalho se organiza em três frentes.

  • Estudo de viabilidade (business case): comparar, número a número, o custo da sua operação hoje no Brasil com o cenário simulado no Paraguai.
  • Planejamento tributário internacional: definir a estrutura que faz sentido para o seu caso, seja Maquila, Zona Franca ou regime geral.
  • Habilitação de crédito: estruturar o financiamento de maquinário e capital de giro com a infraestrutura disponível.

Sendo francos, o Paraguai não é para toda empresa. Ele compensa quando três coisas estão no lugar: o custo operacional real, a qualificação da mão de obra e, acima de tudo, o planejamento.

Como a Safegold atua na expansão para o Paraguai

Número bom não é decisão tomada. Com os seus dados, dizemos com todas as letras se o Paraguai é para a sua empresa ou se não é. As duas respostas valem.

Antes de decidir, revise a série completa. Comece pelos números e veja quem mais ganha em benefícios e setores no Paraguai. Além disso, conectamos essa decisão ao nosso trabalho de reestruturação financeira e de turnaround.

Portanto, se a sua empresa avalia a expansão para o Paraguai, fale com um especialista da Safegold. Vamos colocar a sua DRE na mesa e simular o cenário, número a número.

Quero meu estudo de viabilidade →

Resposta em até 2 dias úteis. Sem compromisso.

Conte conosco!

Precisa esclarecer uma dúvida com nosso especialista em gestão de pessoas?