Benefícios fiscais no Paraguai: quem mais ganha
7 de julho de 2026
Os benefícios fiscais no Paraguai reúnem regimes que reduzem a carga tributária de quem exporta a partir do país. Além disso, esse conjunto de incentivos explica por que tantas empresas brasileiras olham para o outro lado da fronteira.
No primeiro artigo, mostramos que os números do Paraguai fecham. Agora vamos ao passo seguinte. Por exemplo, na Zona Franca o imposto único fica em 0,5% sobre a receita de exportação. Ou seja, a conta tributária encolhe de forma expressiva.
A seguir, você verá como cada regime funciona, quanto custa a mão de obra e quais setores mais aproveitam a estrutura. Assim, fica mais fácil avaliar se a rota faz sentido para o seu negócio.
Como funcionam os benefícios fiscais no Paraguai na Zona Franca
Vale entender a mecânica antes do número. A Zona Franca opera sob um regime aduaneiro especial, com controle alfandegário próprio. Primeiro, as mercadorias entram e saem por pontos de controle autorizados. Nesses pontos, a fiscalização aduaneira acompanha cada operação.
Além disso, quem se instala escolhe o perfil de atuação. Ou seja, a empresa opera como usuário comercial, industrial ou de serviços.
No Complexo Empresarial Global, que os sócios da Safegold visitaram, a estrutura concentra tudo em um só lugar. Por exemplo, o parque reúne aduana interna, despacho aduaneiro no local, operador logístico, galpões industriais, energia dedicada e vigilância 24 horas. Na prática, a operação inteira funciona num único endereço.
Os quatro regimes que ampliam os benefícios fiscais no Paraguai
O Triplo 10 já é baixo. No entanto, é nos regimes especiais que a conta realmente encolhe. Além disso, não existe um caminho único. São quatro rotas, e a escolha entre elas muda toda a margem.
- Zona Franca: imposto único de 0,5% sobre a receita de exportação. A internação de matéria-prima, maquinário e mercadorias fica em 0%. O IVA, o imposto de renda e o imposto sobre dividendos também zeram (Lei 523/95; Decreto 3110/2019).
- Maquila: imposto único de 1% sobre o valor agregado em território paraguaio ou sobre a fatura de exportação, o que for maior. O regime ainda suspende tarifas na importação de insumos e máquinas, devolve crédito de IVA e isenta os dividendos (Lei 7.547/2025, arts. 37 e 38, que substituiu a Lei 1.064/97).
- Matérias-primas: importação de insumos não produzidos no Paraguai com 0% de imposto, para transformar e exportar.
- Produção e montagem de alta tecnologia: importação de partes com imposto 0% e IVA de 1,5%. A venda do produto montado sai com IVA de 4,5% e exige 20% de valor agregado nacional.
Portanto, cada regime atende a um tipo de operação. Por isso, a escolha certa depende do produto, da origem dos insumos e do destino da venda. Para conferir as alíquotas oficiais, veja o resumo tributário da PwC sobre incentivos no Paraguai.

Tributo sobre a operação exportadora por regime, em % (fonte: PwC; Leis 523/95 e 1064/97).

Comparativo dos regimes: tributo, base de incidência e perfil indicado.
Mão de obra jovem e encargos enxutos
Aqui mora um ponto que merece honestidade. Em 1º de julho de 2026, o salário mínimo paraguaio subiu para Gs 3.044.000 por mês, com jornal diário de Gs 117.077. Ao câmbio de julho, isso equivale a cerca de US$ 500.
Ou seja, o salário não é o trunfo da operação. Em dólar, ele nem é baixo. No entanto, os encargos enxutos e a oferta de mão de obra pesam a favor.
Por exemplo, o seguro social (IPS) custa 16,5% ao empregador, bem abaixo do que a folha carrega no Brasil. Além disso, a população é jovem. A idade média é de 29 anos, e cerca de 100 mil pessoas entram no mercado a cada ano (MTESS).

Principais indicadores da mão de obra paraguaia em 2026.
Quais setores mais se beneficiam

Setores mais beneficiados no curto e no médio prazo.
Os números por trás de alguns setores ajudam a entender o movimento. Por exemplo, o turismo cresceu 53% no primeiro trimestre de 2025, o maior avanço do mundo segundo a UN Tourism, à frente de Brasil e Chile.
Além disso, o setor florestal reúne cerca de 3 milhões de hectares com alto potencial e abundância de água. Já os serviços se apoiam justamente naquela base jovem de mão de obra.
Repare numa coisa. Os setores de curto prazo são quase um retrato da carteira da Safegold. Ou seja, agro, proteína animal, alimentos e indústria são os perfis que mais nos procuram. Portanto, a oportunidade está bem perto de casa.
Crédito para investir e crescer
O país também abriu uma frente de crédito para PMEs e indústrias. Quem opera essa linha é a Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), com capital de giro e financiamento de maquinário.
Além disso, a oferta alcança empresas que antes não tinham linha adequada. Inclusive, a CAF acabou de ampliar o volume disponível. Assim, quem quer investir e ganhar escala encontra fôlego a mais.
O que diz quem já opera no Paraguai
Para entender quem realmente ganha, conversamos no parque industrial com Roberto Romero, CEO da RR Group Contadores. O escritório acompanha de perto a chegada das empresas brasileiras. A leitura dele sobre os perfis mais beneficiados foi direta.
“Hoje, a maior presença é de empresas têxteis, de prestadores de serviços e de manufatura, por exemplo, de automóveis. Tem uma indústria do setor automotivo que já está há dez anos aqui na zona franca, e são empresas todas do Brasil, se beneficiando do imposto, da mão de obra e da energia.”
Roberto Romero, CEO da RR Group Contadores
Em seguida, perguntamos o que torna o Paraguai competitivo. Ele resumiu tudo em três vantagens.
“Aqui no Paraguai temos a vantagem tributária, a mão de obra e a energia elétrica. Por isso o Paraguai é muito efetivo para o empresário, principalmente o do Brasil.”
Roberto Romero, CEO da RR Group Contadores
Um detalhe da fala dele chama atenção: a permanência. A indústria automotiva que ele cita opera há mais de uma década no país. Portanto, quem montou base e ficou mostra, na prática, que a vantagem se sustenta muito além do primeiro balanço.
Ver o seu setor na lista é um bom sinal. No entanto, isso ainda não é a decisão.
“Tem muita coisa interessante por aqui, mas também muitos pontos de atenção. O melhor a fazer é um estudo detalhado, para entender se faz sentido para o segmento e para a maturidade do negócio.”
Ezequiel Wilbert, sócio-fundador da Safegold
Como a Safegold atua na expansão para o Paraguai
Na Safegold, ajudamos empresas a transformar interesse em estratégia. Primeiro, analisamos os números do seu negócio. Em seguida, avaliamos qual regime e qual estrutura fazem sentido para o seu momento.
Além disso, tratamos a expansão como parte de um plano maior. Por isso, conectamos a decisão sobre o Paraguai ao nosso trabalho de turnaround e ganho de eficiência e de reestruturação financeira, que já conduzimos com nossos clientes.
Portanto, se a sua empresa avalia os benefícios fiscais no Paraguai, fale com a gente. Vamos montar juntos o estudo que separa o entusiasmo da estratégia.
