Gestão do capital de giro: alerta da Safegold em juros altos

A gestão do capital de giro voltou ao centro das decisões das médias empresas brasileiras. Atualmente, a Selic em dois dígitos, a inflação acima do teto da meta e o crédito mais restrito exigem atenção redobrada. Segundo especialistas em finanças, a empresa precisa tratar esse recurso como variável estratégica, e não como simples rotina de tesouraria. Uma análise da Safegold, feita com exclusividade para o Valor Econômico, mostra que o custo da liquidez deixou de ser um detalhe secundário. Além disso, esse custo agora compromete a rentabilidade, pressiona margens e pode antecipar crises de solvência.
Por que a gestão do capital de giro ficou mais cara
Primeiro, as linhas subsidiadas giram em torno de 13% ao ano. No entanto, o crédito livre para médias empresas alcança taxas entre 24% e 26% ao ano. Além disso, nas operações de antecipação de recebíveis, por meio de factorings, securitizadoras e FIDC, o custo efetivo pode superar 34% ao ano. Ou seja, financiar a operação inteira no desconto de duplicatas corrói o resultado. Portanto, a gestão do capital de giro passou a definir quem preserva margem e quem entra em risco.
Assim, para Ezequiel Wilbert, sócio da Safegold, o efeito aparece de forma silenciosa. “O que resolve é diminuir o tempo em que o dinheiro fica preso, porque isso muda quanto ela aguenta pagar”, afirma ao Valor.
O que a análise da Safegold mostra sobre o capital de giro
A simulação parte de uma empresa que fatura R$ 120 milhões por ano. Primeiro, com prazo médio de recebimento de 45 dias, ela retém R$ 15 milhões em recebíveis. Em seguida, quando o prazo se estica para 75 dias, mais R$ 10 milhões ficam imobilizados. Como resultado, o carregamento desse capital adicional consome R$ 2,4 milhões, o equivalente a 16,7% do Ebitda do ano. Por outro lado, no cenário de antecipação total dos recebíveis, o comprometimento chega a cerca de 42% do Ebitda.
Nesse contexto, a boa gestão do capital de giro depende de planejamento. Assim, a média empresa que organiza o ciclo financeiro preserva a margem. Já quem financia toda a operação em juros altos entra na janela que costuma anteceder a crise.
Por isso, a Safegold apoia esse trabalho com reestruturação financeira e turnaround, sempre com foco em liquidez e capital de giro.