Custo de capital no Brasil: a lição da Casas Bahia para a gestão financeira

O custo de capital no Brasil voltou ao centro do debate com a recuperação judicial da Casas Bahia. A varejista acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas, e os juros altos aceleraram o problema. Além disso, a empresa é uma das maiores do varejo nacional, o que dá dimensão ao alerta. Segundo Guilherme Cóta, head de Controladoria da Safegold, o desequilíbrio entre operação e finanças explica boa parte da crise.
Quando o juro consome o que a operação gera
No segundo trimestre, a Casas Bahia registrou EBITDA ajustado de R$ 518 milhões. No entanto, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,278 bilhão. Ou seja, a operação cobriu menos da metade da conta dos juros. Por isso, a diferença virou dívida nova.
Para Guilherme Cóta, esse é o ponto central do caso. “O resultado operacional cobriu menos da metade do resultado financeiro. Quando isso acontece, a empresa passa a pagar juro com dinheiro que a operação não gerou, e a diferença vira dívida nova”, afirma o head de Controladoria da Safegold.
O custo de capital no Brasil e o alerta para as empresas
As notas explicativas da varejista mostram o tamanho do desafio. Além disso, elas revelam repasses a instituições financeiras a 17,98% ao ano e dívidas atreladas a 100% do CDI. Portanto, mesmo taxas de mercado pressionam o caixa quando a alavancagem é alta. Nesse contexto, a controladoria e a gestão financeira se tornam decisivas.
A leitura da Safegold reforça uma disciplina simples. Primeiro, é preciso acompanhar a geração de caixa frente ao serviço da dívida. Em seguida, cabe revisar o custo real do capital e o mix de financiamento. Assim, a empresa antecipa riscos antes que a dívida entre em espiral. Essa lógica vale para negócios de qualquer porte. Quando o problema já está instalado, a recuperação judicial surge como caminho de reorganização.
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