O barato que custa caro: o erro silencioso que destrói projetos
16 de abril de 2026
Por: Jéssica Passos
O Barato que Custa Caro: o que a Obra de Maíra Cardi Ensina sobre Gestão de Projetos
A reforma da mansão de Maíra Cardi e Thiago Nigro viralizou, mas o que está por trás dela vai muito além de uma obra. Trata-se de um caso quase didático de um dos erros mais recorrentes em gestão de projetos: o barato que custa caro. E, nesse caso, o barato não era dinheiro. Era tempo.
Diferente da maioria das empresas, o projeto não enfrentava uma limitação financeira relevante. Havia, porém, uma pressão clara por prazo. Por isso, os responsáveis escolheram os fornecedores com base na promessa de velocidade. O problema é que esses prazos não foram cumpridos, e é exatamente nesse ponto que muitos projetos começam a dar errado.
Ao tentar acelerar, a equipe reduziu o planejamento, enfraqueceu a definição de escopo, comprometeu a escolha de fornecedores e eliminou etapas críticas de validação. No início, isso criou a sensação de eficiência. Com o tempo, cobrou a conta.
“Depois a gente ajusta”: o perigo do escopo mal definido
Existe uma frase comum em qualquer operação: “depois a gente ajusta”. Na prática, ela representa escopo mal definido, requisitos abertos, alinhamento superficial e decisões baseadas em urgência.
Em gestão de projetos, esse tipo de decisão é especialmente perigoso porque o erro no início não fica no início. Pelo contrário, ele se propaga ao longo de toda a execução e multiplica o custo de correção.
O PMBOK estabelece que todo projeto opera sob três variáveis principais: prazo, custo e escopo. Esse é o chamado triângulo das restrições, e o ponto central é que essas variáveis são interdependentes. Portanto, ao tentar baratear o prazo, inevitavelmente se pressiona custo e qualidade.
Foi exatamente isso que aconteceu na obra: a equipe deparou com especificações divergentes, materiais incorretos, retrabalho constante e atrasos sucessivos. Além disso, ninguém assumiu a responsabilidade de integrar todas as frentes do projeto. Isso não é exceção. É consequência direta de um planejamento fraco.
O custo do erro cresce com o tempo

Há um conceito fundamental que explica o aumento de custo nesses cenários: o custo de correção cresce exponencialmente ao longo do tempo. Assim, quanto mais tarde se identifica o problema, mais caro fica resolvê-lo.
Outro ponto crítico é a ausência de integração. No PMBOK, o gerenciamento da integração do projeto garante que todas as partes estejam conectadas, que as decisões sejam centralizadas e que as mudanças sigam um controle estruturado.
Quando essa função não existe, cada fornecedor decide de forma isolada. Como resultado, a execução se desalinha e os erros se propagam em efeito cascata. É o cenário clássico em que faltou alguém fazendo a cola entre as partes.
O mais perigoso é que o problema começa de forma invisível. Inicialmente, ele se apresenta como ganho de velocidade e decisões rápidas. Com o tempo, porém, se transforma em custo em diferentes níveis: financeiro, operacional e estratégico. Esse último raramente aparece no DRE, mas impacta diretamente o resultado.

O ponto de ruptura em projetos sem estrutura
Todo projeto tem um ponto de ruptura. Ele não acontece de forma repentina, mas é perceptível: tudo passa a ser urgente, decisões mudam constantemente e a execução perde consistência. Nesse momento, o projeto deixa de ser gerenciado e passa a ser empurrado.
Um erro comum é o gestor reagir tarde. Isso acontece porque ele espera o problema aparecer no financeiro. O financeiro, porém, é consequência. O problema nasce antes, na definição, no planejamento e na estrutura. Quando chega ao caixa, já virou correção. E correção custa mais caro.
O caminho correto da gestão de projetos
Do ponto de vista de gestão de projetos, o caminho é conhecido. Primeiro, defina o escopo com clareza para eliminar ambiguidades. Em seguida, estabeleça prazos realistas baseados em capacidade, não em expectativa. Depois, adote critérios técnicos na escolha de fornecedores, mantenha a gestão ativa da integração e monitore continuamente o andamento do projeto.
Nada disso torna o projeto mais lento. Pelo contrário, evita que ele se torne mais caro.
A verdade é que processo leva tempo. Tudo que tenta pular essa etapa volta em forma de retrabalho, aparece como custo e se manifesta como atraso. O barato não é barato. Ele apenas ainda não foi cobrado.
Gestão de projetos: estrutura antes de velocidade
Nesse caso específico, a tentativa de economizar tempo saiu cara em dois níveis. Financeiramente, pelos erros, retrabalho e desperdícios. E no próprio prazo, já que uma obra que poderia ser concluída em meses se estendeu muito além do previsto.
A sequência é clara: tenta-se acelerar, perde-se o controle, gasta-se mais e, ainda assim, o prazo não se cumpre.
A principal lição é simples: desconfie de prazos milagrosos, execuções sem método e decisões rápidas demais. Na prática e na teoria, a equação é a mesma. Velocidade sem processo gera risco, e risco acumulado vira custo.
Projetos não falham por falta de esforço. Falham por falta de estrutura. E quase sempre começa com uma decisão simples: vamos fazer mais rápido. É nesse momento que nasce o barato que custa caro.
Se hoje o retrabalho virou rotina, o prazo não fecha e a operação depende mais de esforço do que de método, o problema não está na execução. Está na estrutura. Fale com a Safegold e descubra como estruturar sua gestão de projetos com método e resultado.
